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Honro minha ancestralidade

Assim como a maioria dos brasileiros, sou fruto da mistura étnica que compõe o Brasil. Tenho o maior orgulho em dizer, que honro minha ancestralidade. O nosso país tem uma beleza étnica incomparável! No entanto, essa mistura deu-se de uma forma que deixou profundas cicatrizes.

Negação

O Brasil é um dos países onde o racismo mais se enraizou. Isso porque, boa parte dos brasileiros tem dificuldades em reconhecer sua ancestralidade. Essa negação, provoca distorções da autoimagem que temos. Muitas pessoas de tons mais claros dessa mistura étnica, consideram-se brancos. E utilizam dessa distorção para adquirir privilégios e inferiorizar quem possui tons mais escuros.

Foto por Anna Shvets

Esse fenômeno, tem desdobramentos em políticas públicas adotadas por diferentes governos, e resulta em desigualdades sociais absurdas. A raiz do racismo estrutural brasileiro nutre-se da negação de nossa própria identidade enquanto povo. Essa negação surge no país, a partir da chegada dos portugueses em nosso solo, trazendo na bagagem a cultura escravocrata e de exploração de terras alheias.

Aceitação

Para estancar essa ferida profunda, não tem outro jeito senão tornar a dor provocada por ela, uma dor coletiva. O Brasil, definitivamente, precisa de análise. Uma análise profunda, para que possa reconhecer sua real beleza! Devemos reconhecer nossa ancestralidade, mesmo que nesse trajeto, venhamos a nos deparar com dores indescritíveis.

“Somos diversos”

Nesse caminho, também há muito o que ser celebrado! Mas essa celebração só será possível, quando passarmos a entender a importância da educação, da arte e da cultura na construção de nossa identidade enquanto NAÇÃO BRASILEIRA. O exercício da cidadania, deve partir desse lugar: inclusivo, diverso e equitativo.

Estrutural

Outro ponto que considero de extrema importância no combate ao racismo, é termos a coragem de enxergar o preconceito entranhado que carregamos. Que se mostra no dia a dia, através de pensamentos silenciosos, palavras equivocadas, olhares e escolhas; seja a de um namorado, de um amigo, de um funcionário.

Reconhecer que somos parte do problema é o primeiro passo em busca das transformações positivas que desejamos. O debate e a conscientização são estratégias extremamente importantes nessa luta que tem de ser de “TODAS, TODES E TODOS”

Texto: Augusto Medeiros (jornalista) em cocriação com Ana Paula Rios (artista, educadora e ativista).

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Augusto Medeiros Ver tudo

Jornalista brasileiro, escreve sobre comunicação, viagem, cultura e desenvolvimento humano. Trabalhou 17 anos como repórter de televisão, no Brasil. Atualmente, é baseado em Berlim. É gerente de projetos pela FGV e também é ator e roteirista.

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